No livro QS – Inteligência Espiritual, a fí­sica e filósofa americana Dana Zohar aborda um tema tão novo quanto polémico: a existência de um terceiro tipo de inteligência que aumenta os horizontes das pessoas, torna-as mais criativas e se manifesta em sua necessidade de encontrar um significado para a vida. Ela baseia seu trabalho sobre Quociente Espiritual (QS) em pesquisas só há pouco divulgadas de cientistas de várias partes do mundo que descobriram o que está sendo chamado “Ponto de Deus” no cérebro, uma área que seria responsável pelas experiências espirituais das pessoas. O assunto é tão atual que foi abordado em recentes reportagens de capa pelas revistas americanas Neewsweek e Fortune. Afirma Dana: “A inteligência espiritual coletiva é baixa na sociedade moderna. Vivemos numa cultura espiritualmente estúpida, mas podemos agir para elevar nosso quociente espiritual”.
Aos 57 anos, Dana vive em Inglaterra com o marido, o psiquiatra Ian Marshall, co-autor do livro, e com dois filhos adolescentes. Formada em fí­sica pela Universidade de Harvard, com pós-graduação no Massachusetts Institute of Tecnology (MIT), ela atualmente leciona na universidade inglesa de Oxford. É autora de outros oito livros, entre eles, O Ser Quântico e A Sociedade Quântica, já traduzidos para português. QS – Inteligência Espiritual já foi editado em 27 idiomas, incluindo o português (no Brasil, pela Record). Dana tem sido procurada por grandes companhias interessadas em desenvolver o quociente espiritual de seus funcionários e dar mais sentido ao seu trabalho. Ela falou à EXAME em Porto Alegre durante o 300º Congresso Mundial de Treinamento e Desenvolvimento da International Federation of Training and Development Organization (IFTDO), organização fundada na Suécia, em 1971, que representa 1 milhão de especialistas em treinamento em todo o mundo. Eis os principais trechos da entrevista:
O que é inteligência espiritual?
É uma terceira inteligência, que coloca nossos atos e experiências num contexto mais amplo de sentido e valor, tornando-os mais efetivos. Ter alto quociente espiritual (QS) implica ser capaz de usar o espiritual para ter uma vida mais rica e mais cheia de sentido, adequado senso de finalidade e direcção pessoal. O QS aumenta nossos horizontes e nos torna mais criativos. É uma inteligência que nos impulsiona. É com ela que abordamos e solucionamos problemas de sentido e valor. O QS está ligado à  necessidade humana de ter propósito na vida. É ele que usamos para desenvolver valores éticos e crenças que vão nortear nossas
acções.
De que modo essas pesquisas confirmam suas ideias sobre a terceira inteligência?
Os cientistas descobriram que temos um “Ponto de Deus” no cérebro, uma área nos lobos temporais que nos faz buscar um significado e valores para nossas vidas. É uma área ligada à experiência espiritual. Tudo que influencia a inteligência passa pelo cérebro e seus prolongamentos neurais. Um tipo de organização neural permite ao homem realizar um pensamento racional, lógico. Dá a ele seu QI, ou inteligência intelectual. Outro tipo permite realizar o pensamento associativo, afectado por hábitos, reconhecedor de padrões, emotivo. É o responsável pelo QE, ou inteligência emocional. Um terceiro tipo permite o pensamento criativo, capaz de insights, formulador e revogador de regras. É o pensamento com que se formulam e se transformam os tipos anteriores de pensamento. Esse tipo lhe dá o QS, ou inteligência espiritual.
Qual a diferença entre QE e QS?
É o poder transformador. A inteligência emocional me permite julgar em que situação eu me encontro e me comportar apropriadamente dentro dos limites da situação. A inteligência espiritual me permite perguntar se quero estar nessa situação particular. Implica trabalhar com os limites da situação. Daniel Goleman, o teórico do Quociente Emocional, fala das emoções. Inteligência espiritual fala da alma. O quociente espiritual tem a ver com o que algo significa para mim, e não apenas como as coisas afectam minha emoção e como eu reajo a isso. A espiritualidade sempre esteve presente na história da humanidade.
No iní­cio do século 20, o QI era a medida definitiva da inteligência humana. Só em meados da década de 90, a descoberta da inteligência emocional mostrou que não bastava o sujeito ser um génio se não soubesse lidar com as emoções. A ciência começa o novo milénio com descobertas que apontam para um terceiro quociente, o da inteligência espiritual. Ela nos ajudaria a lidar com questões essenciais e pode ser a chave para uma nova era no mundo dos negócios.
Dana Zohar identificou dez qualidades comuns às pessoas espiritualmente inteligentes. Segundo ela, essas pessoas:
1. praticam e estimulam o autoconhecimento profundo;
2. são levadas por valores. São idealistas;
3. têm capacidade de encarar e utilizar a adversidade;
4. são holísticas;
5. celebram a diversidade;
6. têm independência;
7. perguntam sempre “por quê?”;
8. têm capacidade de colocar as coisas num contexto mais amplo;
9. têm espontaneidade;
10.têm compaixão.
ou longo prazo, o mundo deu muita importância para Quociente de Inteligência. "Meu filho tem um QI de 210!" a mãe orgulhosa iria jorrar. "Ele vai ser um cientista". Esta atitude é uma herança do início do século 20, quando psicólogos concebido testes para medir a inteligência. Estes testes principalmente medido inteligência intelectual ou racional (usado para resolver problemas de lógica). A maior figura, foi a crença, maior será a inteligência.
Em meados da década de 1990, Daniel Goleman revela descobertas da neurociência e da psicologia, que salientaram a importância de Quociente Emocional (EQ). Isso nos torna conscientes de nossos sentimentos e dos outros. Dá empatia, motivação, compaixão e uma capacidade de responder com habilidade para o prazer ea dor. Goleman EQ argumentou que era um requisito básico para o uso de QI. Se as áreas do nosso cérebro que sentem são danificados, a nossa capacidade de pensar com eficácia é diminuída.
No ano passado, no entanto, os autores Dana Zohar e Ian Marshall introduziu uma nova dimensão à inteligência humana. Quociente Espiritual (ou SQ) é a inteligência suprema, eles dizem. Esta é a inteligência usada para resolver problemas de significado e valor. "É o meu trabalho me dando cumprimento eu procuro?" "Estou relacionadas com as pessoas na minha vida de uma forma que contribua para sua felicidade e minha?" As respostas a estas perguntas determinar se vamos encontrar a felicidade ou não. QI e QE são inadequados em tais questões. "A inteligência espiritual", explica Ram Mohan, um professor de Vedanta, "é sobre o crescimento de um ser humano. É sobre a mudança na vida. Sobre ter um sentido na vida e ser capaz de curar-nos de todo o ressentimento que carregam. É pensar em nós mesmos, como expressão de uma realidade mais elevada. É também sobre o modo como olhamos para os recursos disponíveis para nós. Sabemos que a natureza não é para ser explorada. Finalmente, descobrimos a liberdade do nosso senso de limitação como humano seres e alcançar moksha ".
Anand Tendolkar, um líder da oficina, diz: "Para mim, a inteligência espiritual é de cerca de refletir sobre a finalidade da minha vida Basta estar em contato com essa questão está cumprindo Finalmente percebo que há uma imensidão de mim Como eu passo ao longo do caminho,... níveis mais profundos de me começar desdobradas, levando ao seu cumprimento. "
Os seres humanos são essencialmente seres espirituais, evoluiu para fazer perguntas fundamentais. "Quem sou eu?" "Para onde vou?" "O que os outros significam para mim?" É a capacidade de responder a perguntas como essas que levam as pessoas a oficinas de crescimento pessoal. A inteligência espiritual motiva as pessoas a equilibrar seus horários de trabalho para passar tempo com a família. Ou um executivo com um QE elevado poderia olhar para além das margens de lucro e dedicar tempo para o trabalho voluntário com crianças órfãs. A inteligência espiritual também aborda a necessidade de colocar a vida em um contexto comum de valor.
O poder transformador da SQ distingue de QI e QE. IQ principalmente resolve problemas lógicos. EQ permite-nos avaliar a situação em que estamos e se comportar adequadamente. SQ permite-nos perguntar se queremos estar nessa situação, em primeiro lugar. Pode motivar-nos a criar um novo. SQ tem pouca ligação com a religião formal. Os ateus e humanistas SQ pode ter alta, enquanto alguém ativamente religiosa não pode.
"O despertar da nossa inteligência espiritual pode ser um momento de grande alegria e significado", diz Anita Pandey, que frequenta programas de crescimento pessoal. "De repente tive a sensação de estar no controle. Anteriores coisas que me aconteceu. Agora estou mais consciente. Além disso, eu realmente comecei a viver os valores que eu tinha ouvido falar sobre a aceitação do tipo e do amor incondicional."
Em seu livro Inteligência Espiritual-A Inteligência Ultimate, Zohar e Marshall discutir as evidências científicas para SQ. Na década de 1990, a investigação pelo neuropsicólogo Michael Persinger eo neurologista VS Ramachandran, da Universidade da Califórnia levou a uma identificação de um "ponto Deus" no cérebro humano. Esta área está localizada entre conexões neurais nos lobos temporais do cérebro. Durante varreduras com topografia de emissão de positrões, essas áreas neurais acender-se quando os sujeitos da pesquisa são expostos a discussão de temas espirituais. Claro, isso é cultura específica, com os ocidentais responder às idéias de 'Deus' e budistas e hindus responder a determinados símbolos. Enquanto o Deus-spot não prova a existência de "Deus", ela indica que o cérebro é programado para fazer perguntas finais.
Nós usamos a inteligência espiritual, para transformar a nós mesmos e os outros, curar relacionamento, lidar com a dor, e avançar para além dos hábitos condicionados do passado. Para desenvolver SQ alta, cada pessoa necessita para abordar a tarefa de acordo com sua personalidade.
JL Holland pessoas divididas em seis tipos de personalidade (fazer o teste) e testes desenvolvidos para cada um determinar o tipo ou a mistura.
Em cada teste de personalidade que teria marcado entre zero e 12. Isso indica a força do nosso interesse em que setor da vida. Um adulto médio irá marcar 6 ou mais, talvez em três dos tipos de personalidade. Por exemplo, poderíamos maior pontuação (digamos nove) do tipo artístico, mas sete pontuação do tipo empreendedor e seis sobre a investigação. Naturalmente, temos de permitir que um certo grau de sobreposição entre os diferentes tipos.
Uma vez que sabemos que o nosso tipo de personalidade, podemos escolher melhor o nosso caminho particular para SQ superior.
Tipo convencional: o caminho do dever
Nós seguimos este caminho, servindo a comunidade. Isto é feito através da realização de nosso objetivo de vida e segui-lo com todo o empenho. Temos o interesse da humanidade em mente e buscar o que verdadeiramente amamos por causa dos outros. Muitos de nós pode querer associar-nos com uma organização específica para satisfazer esta ambição.
Seja qual for tomada nós escolhemos, devemos evitar dois erros comuns que as pessoas neste caminho tomar. Evitar tornar-se narcisistas. É uma armadilha fácil de deslizar em. Em um ponto que pode retirar-se completamente das relações e se concentrar apenas em nós mesmos. Comportamentos associados com tais auto-absorção incluem deitado na cama, beber tarde pesada e tabagismo e os excessos na comida e sexo. Um narcisista deve tratar seus problemas de forma adequada através de práticas de terapia ou espiritual antes que ele possa progredir no caminho do dever.
Evite extremos de identificação com seu grupo e sua defesa acrítica. Temos de perceber que há um lugar no mundo para grupos cujos valores diferem dos nossos.
SOCIAL TIPO: O CAMINHO DA NURTURING
Este caminho é amar, cuidar e proteger. Corresponde à deusa-mãe. Pessoas nesta via incluir os pais, professores, enfermeiros e terapeutas, que chegar aos outros com a aceitação e compaixão e dar-lhes espaço para crescer e se encontram.
Para prosseguir este caminho, a atitude certa é crucial. "Como posso servir-me quando eu preciso tanto dos outros?" explica Ram Mohan. "Por exemplo, eu moro em uma cidade onde muitas das coisas que consumimos, como alimentos e medicamentos não são produzidos. Preciso os esforços de tantas pessoas para tornar a vida possível. Sei que estou apenas fazendo os meus talentos à disposição pessoas em troca de coisas que eu estou recebendo. Quando eu olhar para ele dessa maneira, isso me ajuda a enfrentar as decepções que eu possa encontrar. "
É importante estar atento à maneira como a ajudar os outros. Uma maneira distorcida é sucumbir ao aspecto sombra de amor e carinho, que é o ódio ea vingança. O amor pode ser paciente e gentil, mas quando nós realmente não amamos a nós mesmos, nosso amor para com os outros torna-se amarga e destrutiva.
Outra falha comum é sufocar a pessoa que procuramos o amor. Temos que dar espaço pessoa a crescer. Para prosseguir este caminho de forma eficaz, devemos ser receptivos e ouvir a outra pessoa. Devemos estar dispostos a nos revelar aos outros. Uma abordagem livre de risco é improvável ter sucesso.
Quando encontramos grandes professores, uma coisa surpreendente sobre elas é a capacidade de realmente estar lá para outra pessoa. Tal atenção e empatia é raro. Para prosseguir este caminho, temos de modelo nos de um professor ou tutor que já esclareceu a sua vida antes de chegar aos outros.
TIPO DE INQUÉRITO: o caminho do conhecimento
O caminho do conhecimento abrange uma ampla gama de experiências. Poderia ser algo tão simples como resolver problemas do cotidiano. Ou, tão vasto como a busca de um caminho espiritual. A maioria das pessoas neste caminho são estudiosos, cientistas ou aqueles que têm um amor intenso de aprendizagem.
Como prosseguir este caminho pode ter profundos benefícios para a humanidade. Pode-se participar de pesquisas que resolve problemas que assolam a humanidade. Por exemplo, um cientista poderia elaborar um combustível barato que é eco-friendly.
Embora o potencial desse caminho é ilimitado, devemos esclarecer nossa intenção de persegui-la.
Devemos entender que todas as coisas são interligadas e não podemos aplicar os nossos conhecimentos para uma área de experiência, sem ter efeitos profundos sobre os outros.
Nandan Savnal, Mumbai trainer de PNL, nos alerta para outro aspecto crucial: "Um dos desafios mais importantes neste caminho", diz ele, "é se você estiver indo para ser honesto com si mesmo e questionar as coisas Quando você investigar questões. , seu sistema de valores será desafiada. Você terá que pressionar de qualquer maneira. Você não pode dar ao luxo de operar a partir de sua zona de conforto ".
Outra maneira inteligente espiritualmente para trilhar este caminho que deve ser evitado é usar nossos talentos para apoiar moralmente repreensível trabalho. Como os historiadores que negam o Holocausto ou aqueles que se dedicam a espalhar propaganda racista.
ARTÍSTICO TIPO: O CAMINHO DA TRANSFORMAÇÃO PESSOAL
Escritores, artistas, músicos e seus semelhantes constituem apenas 10 a 15 por cento da população. Mas a maioria de nós trilhar este caminho até certo ponto. A tarefa que enfrentam as pessoas como é a integração pessoal e transpessoal. Devemos explorar as profundezas de nós mesmos e soldar os fragmentos díspares em um conjunto harmonioso.
O caminho mais estreitamente associado com a atividade do cérebro de Deus local, as pessoas aqui estão mais abertos a emoções extremas e comportamentos excêntricos. Por esta razão, os artistas são na maioria das vezes pensados ​​como de curandeiros da sociedade (ou xamãs). Eles viagem rumo ao desconhecido e voltar com um fragmento que pode curar todos nós. Este é o processo que criou alguns dos maiores arte do mundo.
Culturas ao longo da história têm tratado o artista como alguém abençoado com a visão especial. Na verdade, a sua capacidade de criar consciência social é profunda. Considere os grandes poetas como Saint-Rumi e Kabir.
Para Savnal, interagindo com grandes histórias de diferentes tradições foi terapêutico. "Quando eu era jovem", diz ele, "fiquei fascinado pela história de Bhima em que ele tem uma luta e salta para cima com a força de dez elefantes toda vez que ele é derrubado. Com o tempo, percebi que a sugestão É de se recuperar com maior energia toda vez que você enfrenta um revés. "
Temos cuidado com as armadilhas certo, porém. Um deles é tornar-se um esteta, pessoas preocupadas com a única forma que produzem arte puramente para a gratificação sensual. Seu objetivo é a aquisição e exibição. Outra falha comum é ser um rebelde, compulsivo permanente. Essas pessoas irão resistir a ordem ea imaginação em sua arte, luta relacionamentos comprometidos e até mesmo perder prazos.
Os extremos acima descritos são um afastamento do conflito. Mas quando um artista que abraça o conflito, ele pode reivindicar sua inteligência espiritual e produzir arte de valor duradouro.
REALISTA Pessoa: o caminho da fraternidade
Priti Sen é uma mãe cuidando de meia-idade e uma esposa dedicada. Seu marido é um empresário rico e influente. Ela adora socializar e também faz trabalhos de caridade. Aparentemente forte, alegre e responsável da sua vida, a verdade sobre ela não é imediatamente óbvio. Seu filho adolescente perdeu as duas pernas em um acidente. Enquanto o marido quebrado e as outras crianças grito quase que diariamente, Priti é calmo, sensível e calmo. Ela ocupa-se cuidando de seu filho, construir uma nova vida para ele. Sua capacidade de aceitar a adversidade é uma fonte de força para sua família.
Priti exemplifica os atributos do tipo realista. Prático, no-nonsense, desconfortável com sentimentos evidente, essas pessoas personificam as virtudes do herói. Sua missão na vida é seguir o caminho da fraternidade e da justiça. É ver uma conexão entre eles e todos os outros seres. Um sutra budista descreve assim: ". No céu de Indra (o rei dos deuses do panteão hindu), existe uma rede de pérolas de tal forma que se você olhar para um lado, você vê todos os outros nele refletido No mesmo Assim, cada objeto no mundo não é apenas em si, mas envolve todos os outros objetos e de fato é todos os outros objetos. "
Aqueles que têm interiorizado este preceito de que forma as organizações trazer justiça ao mundo. Eles decidem como os direitos e os bens são distribuídos para o benefício de todos. Isto envolve o respeito ao outro do ponto de vista. Quando essas pessoas trabalham juntos em ONGs ou organizações espirituais, elas crescem em direção a uma compreensão mais profunda que todas as pessoas são jogadores em um padrão maior.
TIPO EMPREENDEDOR: O Caminho da liderança do servo
Todos os grupos humanos, famílias, tribos e sociedades precisam de líderes para dar motivação, visão e propósito. Os líderes eficazes devem estar confiante, expansivo e confortável com o poder. Os líderes verdadeiramente grandes são servo-líderes, aqueles que servem à humanidade, criando novas formas para as pessoas se relacionam umas com as outras. Eles colocam o bem da sociedade acima de seu próprio bem e levar a sociedade para novas direções. Buda e Jesus foram esses líderes. Na Índia, nós tínhamos o imperador Ashoka, que, após a sua brutal conquista de Kalinga, convertido ao budismo e abraçou a não-violência. E os ambientalistas como Sunderlal Bahuguna e Patkar Medha forçaram as pessoas a olhar de novo em questões ecológicas.
Convém salientar, contudo, que um servo-líder deve ter uma grande clareza interior. Uma maneira inteligente espiritualmente para trilhar este caminho é a utilização de seu poder para explorar os outros. Outro erro é se concentrar exclusivamente em uma das necessidades mesquinhas e ignorar os interesses das pessoas que servimos.
"O desafio é ter uma visão", disse Ram Mohan. "Depois disso, a tarefa é construir a confiança e capacitar as pessoas para dar o seu melhor." É essencial fazer isso de forma ética. Em uma sociedade corrupta, haverá pressão sobre nós e nós temos que saber como lidar com isso. Para manter o equilíbrio, um líder fariam bem em reflectir sobre tutela. Gandhi declarou que, quando um indivíduo tem mais do que sua parte proporcional da riqueza, ele deve se tornar um administrador daquela parcela em nome de Deus.
É a esta nobre visão de liderança que se deve aspirar. Em um mundo cada vez mais fragmentada, precisamos de líderes de visão que pode trazer esperança e propósito na vida dos outros, alguém que vê toda a humanidade como povo de Deus. Como Jesus disse: "Não a minha vontade, Senhor, mas a tua".
O esboço dos caminhos acima destina-se a ajudar aqueles que desejam desenvolver sua inteligência espiritual e um melhor conhecimento de si mesmos. Para essa percepção deve ser adicionado o ingrediente de valor inestimável do trabalho duro. Mas, pensando em nós mesmos como seres espirituais é um bom começo. Uma vez que fizermos isso, podemos ampliar a nossa idéia de inteligência para incluir este maior visão de nós mesmos.
Quando nós nos comprometemos com os caminhos escolhidos, neste contexto, começamos a infunda um maior significado, valor e satisfação em nossas vidas.
No livro QS – Inteligência Espiritual, a fí­sica e filósofa americana Dana Zohar aborda um tema tão novo quanto polémico: a existência de um terceiro tipo de inteligência que aumenta os horizontes das pessoas, torna-as mais criativas e se manifesta em sua necessidade de encontrar um significado para a vida. Ela baseia seu trabalho sobre Quociente Espiritual (QS) em pesquisas só há pouco divulgadas de cientistas de várias partes do mundo que descobriram o que está sendo chamado “Ponto de Deus” no cérebro, uma área que seria responsável pelas experiências espirituais das pessoas. O assunto é tão atual que foi abordado em recentes reportagens de capa pelas revistas americanas Neewsweek e Fortune. Afirma Dana: “A inteligência espiritual coletiva é baixa na sociedade moderna. Vivemos numa cultura espiritualmente estúpida, mas podemos agir para elevar nosso quociente espiritual”.

Aos 57 anos, Dana vive em Inglaterra com o marido, o psiquiatra Ian Marshall, co-autor do livro, e com dois filhos adolescentes. Formada em fí­sica pela Universidade de Harvard, com pós-graduação no Massachusetts Institute of Tecnology (MIT), ela atualmente leciona na universidade inglesa de Oxford. É autora de outros oito livros, entre eles, O Ser Quântico e A Sociedade Quântica, já traduzidos para português. QS – Inteligência Espiritual já foi editado em 27 idiomas, incluindo o português (no Brasil, pela Record).

 Dana tem sido procurada por grandes companhias interessadas em desenvolver o quociente espiritual de seus funcionários e dar mais sentido ao seu trabalho. Ela falou à EXAME em Porto Alegre durante o 300º Congresso Mundial de Treinamento e Desenvolvimento da International Federation of Training and Development Organization (IFTDO), organização fundada na Suécia, em 1971, que representa 1 milhão de especialistas em treinamento em todo o mundo. Eis os principais trechos da entrevista:

O que é inteligência espiritual?

É uma terceira inteligência, que coloca nossos atos e experiências num contexto mais amplo de sentido e valor, tornando-os mais efetivos. Ter alto quociente espiritual (QS) implica ser capaz de usar o espiritual para ter uma vida mais rica e mais cheia de sentido, adequado senso de finalidade e direcção pessoal. O QS aumenta nossos horizontes e nos torna mais criativos. É uma inteligência que nos impulsiona. É com ela que abordamos e solucionamos problemas de sentido e valor. O QS está ligado à  necessidade humana de ter propósito na vida. É ele que usamos para desenvolver valores éticos e crenças que vão nortear nossas
acções.

De que modo essas pesquisas confirmam suas ideias sobre a terceira inteligência?

Os cientistas descobriram que temos um “Ponto de Deus” no cérebro, uma área nos lobos temporais que nos faz buscar um significado e valores para nossas vidas. É uma área ligada à experiência espiritual. Tudo que influencia a inteligência passa pelo cérebro e seus prolongamentos neurais. Um tipo de organização neural permite ao homem realizar um pensamento racional, lógico. Dá a ele seu QI, ou inteligência intelectual. Outro tipo permite realizar o pensamento associativo, afectado por hábitos, reconhecedor de padrões, emotivo. É o responsável pelo QE, ou inteligência emocional. Um terceiro tipo permite o pensamento criativo, capaz de insights, formulador e revogador de regras. É o pensamento com que se formulam e se transformam os tipos anteriores de pensamento. Esse tipo lhe dá o QS, ou inteligência espiritual.

Qual a diferença entre QE e QS?

É o poder transformador. A inteligência emocional me permite julgar em que situação eu me encontro e me comportar apropriadamente dentro dos limites da situação. A inteligência espiritual me permite perguntar se quero estar nessa situação particular. Implica trabalhar com os limites da situação. Daniel Goleman, o teórico do Quociente Emocional, fala das emoções. Inteligência espiritual fala da alma. O quociente espiritual tem a ver com o que algo significa para mim, e não apenas como as coisas afectam minha emoção e como eu reajo a isso. A espiritualidade sempre esteve presente na história da humanidade.

No iní­cio do século 20, o QI era a medida definitiva da inteligência humana. Só em meados da década de 90, a descoberta da inteligência emocional mostrou que não bastava o sujeito ser um génio se não soubesse lidar com as emoções. A ciência começa o novo milénio com descobertas que apontam para um terceiro quociente, o da inteligência espiritual. Ela nos ajudaria a lidar com questões essenciais e pode ser a chave para uma nova era no mundo dos negócios.

Dana Zohar identificou dez qualidades comuns às pessoas espiritualmente inteligentes. Segundo ela, essas pessoas:
1. praticam e estimulam o autoconhecimento profundo;
2. são levadas por valores. São idealistas;
3. têm capacidade de encarar e utilizar a adversidade;
4. são holísticas;
5. celebram a diversidade;
6. têm independência;
7. perguntam sempre “por quê?”;
8. têm capacidade de colocar as coisas num contexto mais amplo;
9. têm espontaneidade;
10.têm compaixão.

Helena Ribeiro aborda a evolução das diversas inteligências, que segundo alguns autores e estudiosos, constatam que o QS é a inteligência que coloca nossos atos e experiências num contexto mais amplo de sentido e valor, tornando-os mais efetivos. Ter alto QS implica ser capaz de usar o espiritual para ter uma vida mais rica e mais cheia de sentido, adequando senso de finalidade e direção pessoal. Ter ou desenvolver inteligência espiritual aumenta nossos horizontes e torna-nos mais criativos, é uma inteligência que nos impulsiona e está ligada à necessidade humana de ter um propósito de vida, respeitando os valores individuais e da sociedade que norteiam as ações da humanidade.

Inteligência Espiritual



"O Rei mais nobre de todos os reis é aquele que é capaz de se dominar".
Sidartha Gautama (Buda)


Na década de 70, a cultura ocidental valorizava o homem pelo seu QI (quociente de inteligência); por isso, o grande físico Albert Einstein até hoje é o ícone, modelo de inteligência humana.

Mas, na década de 80, Daniel Goleman, psicólogo norte-americano, introduziu o conceito de QE (quociente emocional) dizendo que não bastava ao ser humano ter um QI alto, privilegiado, se não sabia se relacionar, lidar com o seu emocional; enfim, se não tinha uma competência interpessoal, habilidade no trato com as pessoas. Portanto, não bastava ser um gênio, ter um QI elevado (apresentando um QE baixo), tendo assim dificuldades de interagir em grupo, com reduzido espírito de equipe.

A partir da década de 90, começou-se a falar em QE (quociente espiritual); valores como solidariedade, cooperação, responsabilidade social, consciência coletiva, ecológica, preservação do meio ambiente, do planeta, passaram a ser mais valorizados, contrapondo ao egoísmo, individualismo, vaidade excessiva, ganância desmedida, intolerância, desrespeito, competição desleal, próprios de uma cultura materialista, consumista e imediatista do mundo ocidental.

Não obstante, muitos ainda cultuam apenas o corpo, preocupando-se somente em malhar, ir a uma academia, correr, fazer musculação, negligenciando em cuidar da mente e do espírito.

Resultado: Dificuldade em lidar com as perdas afetivas, com as dores físicas, emocionais e espirituais, com as frustrações do dia-a-dia.

Com isso, o grande desafio de muitos é como conseguir equilíbrio, paz interior num mundo conturbado, competitivo como o nosso?

Ao meu ver, a resposta está no desenvolvimento espiritual. Costumo dizer aos meus pacientes que é relativamente fácil desenvolver o intelecto, pois o meio acadêmico nos proporciona isso, através dos estudos, das faculdades, cursos de especialização, pós-graduação, MBA, mestrado, doutorado, etc.

Mas, e o desenvolvimento espiritual, a fé e a sabedoria humana?

No meu consultório, o que mais aparecem são pacientes perturbados, angustiados, depressivos, amargos, raivosos, frustrados, infelizes, perdidos, por não conseguirem lidar com as vicissitudes da vida. Seguramente, aqueles que têm fé conseguem superar com mais facilidade as provações desse mundo terreno. Mas a fé que estou falando não é aquela que muitos dizem ter quando tudo vai bem em suas vidas. Estou me referindo à fé que a pessoa mantém , mesmo nos momentos de crises, nos momentos mais dolorosos de sua vida, como perda de um ente querido, doença grave, divórcio, desemprego, caminhos fechados, etc.

Ter uma fé inabalável feito rocha, onde nada atinge uma pessoa, certamente é para poucos.

Eu me curvo diante dessas pessoas, os reverencio, pois essa fé é uma conquista interna, um trabalho interior, onde muitos a conseguiram já de outras encarnações.

A TRE (Terapia Regressiva Evolutiva) - A Terapia do Mentor Espiritual, abordagem psicológica e espiritual breve, canalizada por mim pelos Espíritos Superiores do Astral, é sobretudo um ato de fé e de humildade, pois todo processo de autoconhecimento e cura é feito de três passos: 1º) Humildade; 2º) Não ter vergonha do que vai se descobrir nas sessões de regressão, pois como seres espirituais em evolução, certamente cometemos muitos erros no passado, em especial, em nossas vidas passadas, que hoje consideraríamos como atos atrozes, bárbaros; 3º) Coragem.

O grande mestre Jesus, profundo conhecedor da alma humana, dizia: "Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus". (Mat., V, 1-3)

Cristo estava se referindo à expressão "pobres de espírito" àqueles que não são orgulhosos de espírito, ou seja, os humildes. Neste aspecto, o orgulho constitui o maior obstáculo para aqueles que querem se aproximar de Deus e se conhecer melhor. Nesta terapia, o paciente precisa ter coragem para se despojar de seu orgulho.

Por isso, para que o paciente obtenha um resultado satisfatório nesta terapia, é preciso que ele tenha também fé, humildade e um mínimo de QE (quociente espiritual) desenvolvido.

Pacientes céticos, incrédulos, cartesianos, que não têm o hábito da prece, que não tem fé ou possuem uma fé pífia, desinformado, sem o devido esclarecimento acerca da espiritualidade (plano espiritual, carma, reencarnação, programa reencarnatório, leis universais, presenças espirituais de luz e das trevas, etc.), não estão preparados para passarem por essa terapia, se comunicarem com o seu mentor espiritual para saberem a causa de seu (s) problema (s), sua resolução, bem como as aprendizagens necessárias.

Portanto, na TRE, não basta o paciente ter um bom QI, se o seu QE é baixo. Não é por acaso, que muitos mentores espirituais dos pacientes sugerem no final do tratamento que eles estudem mais, se esclareçam acerca da espiritualidade, para que possam entender melhor o que foi passado nesta terapia.

Caso Clínico:
Por que sofro tanto quando me envolvo afetivamente?
Mulher de 25 anos, solteira.


Veio ao meu consultório querendo entender por que sofreu tantas decepções ao se envolver com os homens. Nos cinco namoros, eles a traíram, não a valorizaram. Sempre se preocupou muito com sua vida amorosa, pois queria encontrar um companheiro para constituir uma família.

Queria entender por que ainda não conseguia se desvincular de seu último namorado. Além do problema afetivo, queria saber também qual era a sua verdadeira vocação, seu caminho profissional. Por último, tinha dificuldade de se relacionar com o padrasto, queria entender por que não gostava dele, apesar do mesmo nunca ter feito nada para ela.

Ao regredir, a paciente me relatou: "Vejo uma senhora idosa, está morrendo por ter problemas cardíacos. Ela está deitada na cama, seus olhos são bem azuis, cabelos grisalhos, amarrados num cóqui, ela é bem magrinha. Ela sente dores no peito... É uma época antiga, sua casa é pequena, simples. Essa senhora está sozinha, a casa dela é bem isolada, reside numa zona rural. (pausa).

Ela morreu... Foi para a luz, encontra vários seres espirituais amigos. O local é muito claro. Os seres gostam muito dela, cumprimentam-na. Ela se sente muito feliz, acolhida nesse plano espiritual.
Há muitos seres em volta dela".

- Quem é essa senhora? - Pergunto à paciente.
"Acho que sou eu nessa vida passada pelo seu jeito de ser, se comportar, de sofrer. Eu me identifico com ela, embora fisicamente não me pareça com ela, pois ela é muito bonita e alta".

- Veja se o seu mentor espiritual está presente nessa plano de luz? - Peço à paciente.
"Na verdade, não é mentor, é uma mentora espiritual. Vejo que suas mãos são delicadas, ela as estende para mim. Pede para ficar calma, que vai ficar tudo bem, para não me preocupar.

Fala que nessa existência passada sofri muito porque era muito dependente das pessoas".

- Mas o que aconteceu para você morrer sozinha nessa vida passada? - Pergunto à paciente.
"Ela diz que eu sufocava as pessoas, queria que as coisas fossem do meu jeito. Eu era muito manipuladora, não deixava os meus entes queridos viverem por si. Eles se libertaram de mim mais tarde".

- Pergunte à sua mentora espiritual por que ela lhe mostrou essa cena de sua vida passada? - Peço à paciente.

"Diz que foi para eu aprender a deixar as pessoas serem o que são, pois nessa vida passada, sufoquei os meus filhos, não os deixava viver, sempre querendo controlá-los. Por isso, eles me abandonaram, foram embora.

Afirma que se eu repetir o que fiz no passado, vai acontecer a mesma coisa na vida atual com os meus familiares. Fala que, às vezes, é necessário o afastamento dos entes queridos em nossas vidas para que todos possam evoluir, crescer. Portanto, faz parte sofrer um pouco com o afastamento da família, pois precisamos aprender o desapego".
- Pergunte à sua mentora espiritual, qual o seu verdadeiro caminho profissional?
"Revela que é criar um negócio, ter uma certa independência, trabalhar como autônoma".

- Que tipo de negócio?
"Ela diz que é algo criativo, inovador. Mas fala que tenho condições de montar esse negócio".

- Em relação ao seu último namorado, pergunte por que você não consegue se desvincular dele?

"Falou que já fomos casados numa vida passada e, por isso, não estou acostumada a ficar longe dele. Diz que nessa vida passada, cultivamos bons sentimentos.

Pede para ter paciência com as diferenças que existe entre nós. Diz ainda que os meus relacionamentos amorosos não deram certo porque preciso na vida atual viver sozinha, ou seja, aprender a viver sozinha, ser mais independente, o que não fui naquela existência passada. Por isso, sofri muito ao morrer sozinha e idosa".

- Pergunte por que você nunca gostou de seu padrasto? - Peço à paciente.

"Ele já foi meu pai numa existência passada e era muito distante, ausente, mal falávamos. Por isso, hoje a gente precisa se aproximar mais, termos um melhor relacionamento. A minha mentora espiritual fala também que vou ser feliz no amor e na profissão, que tudo é merecimento.

Em relação ainda ao meu último namorado, ela diz que devo continuar lutando, persistindo para reconquistá-lo, que vou conseguir".

- Pergunte em relação ao nosso tratamento, se ela tem algo a nos dizer? - Peço à paciente.
"Ela está agradecendo ao senhor pela comunicação (nesta terapia, o meu papel como terapeuta é criar as condições necessárias para abrir o canal de comunicação entre o paciente e o seu mentor espiritual), pela possibilidade dela ter conversado comigo e, com certeza, essa terapia me ajudou muito, e que vai me ajudar a ter mais fé.

Diz ainda que foi ela que me intuiu a vir ao seu consultório; pede para cuidar de minha mãe, em especial, e de meus familiares. Fala que tenho sido uma pessoa muito boa, que está orgulhosa de mim... Agora está se despedindo... indo embora".

percepçoes, intuição

Nem só razão, nem só emoção. Para o indiano Amit Goswami, a base da criatividade é a inteligência que se baseia nas percepções sutis e na intuição

Por Época Negócios
O indiano Amit Goswami costuma dizer que todos nós temos dois lados. Um é o lado Isaac Newton - aquele que quer entender tudo em termos objetivos, matemáticos. Outro é o que ele chama, numa referência ao poeta inglês, de William Blake, mais sutil, que vê o mundo a partir de uma percepção intuitiva. Para ele, é na confluência desses dois lados que está a raiz da criatividade.
 
"Quase 100 anos de pesquisas sobre criatividade mostram que os cientistas também dependem da intuição. Nem tudo é racional, matemático", escreveu em O Universo Autoconsciente , publicado no Brasil pela Editora Aleph. Goswami sabe do que está falando. Ph.D. em física nuclear, até os 45 anos de idade estava mais para Newton do que para Blake. Era ateu convicto. Até que despertou para uma outra maneira de ver o mundo, ao perceber que era impossível realizar medições quânticas usando somente a inteligência racional e que a visão dos espiritualistas sobre o mundo era a mais acertada para entender a física quântica.
 
Começou, então, a estudar as relações entre razão e intuição. Hoje, professor emérito no Instituto de Física da Universidade de Oregon, nos Estados Unidos, é um físico respeitado e especialista sobre essa nova ciência - do estudo da consciência dentro da ciência - que permite integrar o lado objetivo ao lado sutil: a inteligência espiritual.
 
Não é papo esotérico. A inteligência espiritual é uma evolução na maneira como a ciência descreve nossa relação com a vida e com o mundo. Por décadas, acreditou-se que a base para uma vida de sucesso era o quociente de inteligência, ou QI, 100% baseado na compreensão e manipulação de símbolos matemáticos e lingüísticos. Nos anos 90, Daniel Goleman criou a expressão "inteligência emocional" para descrever a necessidade de se desenvolver o autoconhecimento e a empatia. Mais recentemente, cientistas encontraram evidências de que o cérebro humano foi programado biologicamente para fazer perguntas filosóficas e subjetivas, como "quem sou eu?" ou "o que torna a vida digna de ser vivida?". O neuropsicólogo Michael Persinger e o neurologista Vilayanu Rama Chandran, da Universidade da Califórnia, identificaram no cérebro humano um ponto chamado de "módulo Deus", que aciona a necessidade humana de buscar um sentido para a vida.

É sobre isso que fala Goswami em sua participação em Quem Somos Nós?, um filme polêmico que defende que a realidade pode ser alterada por nossos pensamentos. Autor de livros como O Médico Quântico (Cultrix) e A Física da Alma (Aleph), ele se tornou quase um ídolo pop depois do filme. É requisitado mundialmente para conferências e virá ao Brasil em agosto. Semanas antes da viagem, ele falou a Época NEGÓCIOS.
"Inteligência também é criatividade. É como você vai além da mente, além do conhecido"
O que é inteligência espiritual? A palavra espírito pertence à definição de espiritual, que significa holístico, pleno, a base do ser, e tem uma conotação antiga. Eu uso o termo "inteligência supramental", porque significa a inteligência além do mental. Tem a ver com nossos valores, virtudes e com os arquétipos que definem verdade, beleza, amor, justiça, bondade. É uma inteligência mais ligada à intuição do que à razão.

 Como podemos desenvolvê-la? Temos quatro tipos de percepção: a sensação, no plano físico, a emoção, no plano vital ou energético, e o pensamento, no plano mental. E também a percepção sutil, a intuição, no plano supramental. Quando dependemos apenas do racional, que é a tendência hoje em dia, jogamos fora nossa intuição. O aspecto sensorial nós não descartamos, porque ele faz parte da relação física com o mundo, mas freqüentemente ignoramos bastante a emoção e a intuição. Isso precisa mudar.

 A inteligência espiritual está se tornando mais importante? Nos últimos 50 anos, desenvolvemos uma visão de mundo materialista, reforçando os lados sensorial e mental. Ainda acreditamos que o mental faz parte do físico, que a mente é um fenômeno criado pelo cérebro. O que proponho é que, ao contrário, é a mente, a consciência, que cria não só o cérebro, mas a vida, a realidade que percebemos. De outra forma, qualquer conceito que não possa ser definido pelo materialismo é negado.

 O senhor critica a "cultura da informação" em que vivemos hoje. Por quê? A cultura materialista coloca muita ênfase na informação. As pessoas hoje vivem na internet, perdendo muito tempo para processar informação sem conteú­do, quando poderiam estar vivendo a vida de maneira mais voltada para o interior, para a subjetividade. Deveríamos dar muito mais atenção a nosso mundo interior.

Como fazer isso? Entendendo que a consciência é a base da existência. Ao dar valor primordial à consciência, podemos apreender todas as suas qualidades, não só as experiências materiais e sensoriais, mas também o que sentimos e intuímos. Essa intuição é um fenômeno que se explica pelo conceito de não-localidade, uma comunicação na qual não há troca de sinais, explicada pela física quântica. É um fenômeno em que moléculas, elétrons e pessoas se comunicam mesmo a longas distâncias. Isso é a evolução de nosso conceito de inteligência, porque previamente o argumento era que inteligência era a maneira como usamos nosso computador cerebral. Lógico que existe um componente em seu DNA que explica como você usa seu cérebro, mas inteligência também é criatividade - é como você vai além da mente, além do conhecido. Precisamos integrar a intuição e a criatividade a nossa razão.